Traquinices e travessuras.

terça-feira, setembro 14, 2004

Bater coros

Gosto de bater coros. Esta afirmação pode suscitar as mais variadas reacções. Alguns poderão dizer que sou um convencido, outros que sou um individuo imaturo e sem pundonor. No entanto, devo salientar que sou um corista pelo prazer da descoberta. Sou um curioso do coro. Por outras palavras, a actividade de corista tem para mim o valor de um estudo das interacções sociológicas prementes no universo da noite.
O coro, quanto mais estúpido é, mais desafia o bom senso da pessoa que está do outro lado. Quer se trate de uma conversa de circunstância, de uma discussão de cariz intelectual ou simplesmente de uma conversa estúpida, o que é importante é o feedback que recebemos. Esse feedback pode assumir várias formas: uma bofetada, um elogio, um insulto, um broche. Nenhuma destas reacções deve resultar no desânimo do corista. O fundamental é a leitura destas reacções e o diagnóstico dos resultados. O que correu mal? O que correu bem? Será que fiz bem em comentar as mamas dela? Terei sido muito brusco ao pedir-lhe uma xuxada? Tudo merece o mais detalhado escrutínio. Bater coros não é só conhecer o outro, é conhecermo-nos a nós próprios, e é dar-nos a conhecer a outrem. O exercício do coro exige sentido de humor, desenvoltura, flexibilidade de temas e naturalidade.
Em muitas ocasiões (pelo menos para mim), bater coros está associado a outra situação: levar cortes. Muitos de vós perguntarão: qual é o prazer de levar cortes? Eu penso que esse prazer existe. Reparem que falo do coro desportivo, não existe aqui uma real e intransigente necessidade de facturar. Ao nos disponibilizarmos para bater coros a uma concubina, estamos a colocarmo-nos numa situação de inferioridade perante ela. Isso é divertido porque ela ganha subitamente uma posição de poder sobre nós. No entanto, tudo isto pode ser facilmente manipulável. Se pensarmos, a maior parte dos diálogos que temos na nossa vida são coros. Estamos constantemente a dar o melhor da nossa argumentação para convencer, seduzir ou enganar alguém. Mas o coro sexual é sem dúvida o mais interessante. Quem bate coros assume o risco, joga ao ataque. Leva a vida ao estilo de um Deco ou de um Cristiano Ronaldo, no um para um, sem medo, caindo para cima do adversário. Não como os Italianos ou os Gregos, que ficam à espera de uma aberta. E eu pessoalmente sempre fui um amante do futebol espectáculo…