Traquinices e travessuras.

sábado, julho 24, 2004

O milagre segundo os Patroon

“Belbet, desafina a viola. Buz, acerta os ferrinhos. Cácá, o som está em ordem? Tuelo, traz-me um pacote de bolachas. Daquelas com chocolate por dentro. 1,2,3 Vai: Uh, uh, uh. Sexo anal é fundamental La La La…”.
            Num mundo em que míudas mimadas discutem a semiótica dos tops da Mango, em que o 1º Ministro delibera 5ºfeira a noite da mulher no Palácio de S.Bento e em que os tumores cerebrais vêm com tecnologia Java – nesse mundo, um grupo de ex-adolescentes procura os seus pedacinhos de céu. Os pedacinhos de céu são como flocos de neve. Rapidamente se desmancham entre as mãos, mas têm também o poder de abalar intensidade a cabeça de qualquer um. Escrevo esta prosa com Pessoa a meu lado. Esse infeliz. Ele não soube que o céu, é só aos pedacinhos, nunca todo de uma vez. Não soube ou não quis saber. Os tempos mudaram. O ópio de agora já não é o daquele tempo, o povo escolheu um mais rasteiro. O absinto também já não é absinto, é apenas um extracto. Mas os pedacinhos de céu continuam no mesmo sítio. As pessoas é que já não olham para cima.
            É esta falta de espiritualidade nos dias presentes que me leva a esta liturgia: Sigam a palavra dos Patroon e sereis mais felizes. Não muito, porque felicidade a mais também chateia. Ouvei a palavra de Patroon, deixai que ela ecoe em vossos ouvidos. Depois, deixai esse som mal-afinado transformar-se em luz e inundar-vos de alegria (ou outra coisa qualquer). Agora quero ouvir-vos. Repetei a seguir a mim: “ Santificado seja o Máquina do broche, abençoada a Conassa de preta.” Pronto meus filhos, ide em paz com a graça da banda mais santa deste Planeta e dos outros.