Traquinices e travessuras.

sábado, julho 24, 2004

Os estudantes de Direito (esses parolos)

Tenho dois amigos estudantes de Direito. Como sou uma pessoa sempre interessada em aprender coisas novas e não vejo o diálogo numa perspectiva exibicionista e competitiva, sempre que tenho oportunidade, converso com as pessoas acerca das suas actividades profissionais ou dos cursos que frequentam. Esta atitude de curiosidade intelectual já me permitiu saber coisas interessantes sobre Arquitectura, Design, Marketing, Gestão, Engenharias, Medicina etc.
            Mas com estudantes de Direito é extremamente complicado estabelecer uma conversa interessante livre de contaminações e atitudes de Show-off ou proselitismo. Quanto mais adiantada for a frequência no curso, maior é a mumificação intelectual. O estudante de Direito torna-se uma espécie de papagaio irritante e rígido na argumentação. Qualquer conversa informal se transforma num julgamento, com as mesmas estratégias retóricas e aplicações robóticas dos conhecimentos decorados nas vésperas dos exames. O mundo universitário do Direito é alimentado por mitos ridículos como aquele em que o uso do verbo “alugar” em relação a bens imóveis, durante uma oral, só pode levar ao apedrejamento em praça pública e à dilaceração dos restos mortais por leões esfomeados. Ao conviver com estudantes de Direito, percebo melhor as razões para a classe política ser o que é neste país. Se desde tenra idade se começa a cultivar a oratória vil e malabarista, como poderão os nossos governantes deixar de ser charlatães hipócritas e fugidios, beneficiários da cultura do caciquismo e da cunha.
            Em quase todos os cursos, eternizam-se mitos sobre a sua dificuldade : “O meu curso é o mais difícil”. “No meu curso a média dos alunos é de 10 valores!”, “No meu é 7!”. “Na minha faculdade a média de anos para acabar o curso é 20 anos!”, “Na minha é 30!”. Em Direito, estes exageros são levados ao extremo. Os relatos sobre a dificuldade do curso e o menosprezo para com as outras licenciaturas é gritante, mesmo se lhes dissermos que existem cursos em que é, de facto, obrigatório ir às aulas…Se um curso deveria, na teoria, abrir os horizontes intelectuais de um individuo, o curso de Direito é um daqueles que mais afunila a compreensão das pessoas do mundo exterior.
            Outro dia, vieram-me com esta: “O Direito está em todo lado”. Esta afirmação é claramente um daqueles clichés com que nos deparamos quando estamos a iniciar a carreira académica, não importa o curso. Algo do género poderia ser dito em relação a um curso de Engenharia Naval ou de Cardiopneumologia. Felizmente, o Direito legal, que é aquele que é apregoado pelas faculdades e cursos de Direito por esse mundo fora, não está em todo o lado, pois as pessoas ainda vão conseguindo, na maior parte dos casos, resolver as suas questões e chegar a um consenso, através, nomeadamente, do direito moral, sentimental, natural, intelectual ou até divino. Infelizmente, como disse um dia e volto a repetir, o Direito é um mal necessário. A isto, responderam-me: “Não, a sociedade é que é um mal necessário.”. Essa está boa. A sociedade é algo de inerente ao Homem e, tanto quanto sei, a todas as espécies animais também. Embora encerre as suas injustiças, a sociedade existe desde os 1º homens, vivendo e proporcionando momentos de alegria e prosperidade, assim como momentos de miséria e decadência, mas sendo parte indissociável da própria vida.
            Em oposição, o Direito, embora tenha as suas origens na Antiguidade clássica, começou a ser aplicado num tempo historicamente bem mais recente, fruto (isso até admito) de um mundo contemporâneo onde a salvaguarda de interesses individuais é de tal forma importante e alienante que a justiça moral ou racional já não chega para manter a ordem.
            No fundo, o que quero dizer com tudo isto é que a maioria dos advogados e das pessoas da área do Direito são…uns cabrões sem escrúpulos. Numa próxima oportunidade, irei desancar nos jornalistas, esses filhos da puta sem vergonha na cara.

 

P.S. Como vem sendo hábito, remato este post com um aforismo. Como acho que estas questões que aflorei estão, directa ou indirectamente ligadas com dinheiro e o seu poder hipnótico nas pessoas, cá vai: Quando o dinheiro fala, ninguém se dá conta da gramática que ele usa.

2 Comments:

Blogger João Paz said...

A propósito deste post, que aliás achei excelente e que só peca por ser tão soft (é dar cabo deles seus cabrôncios!), estranho a bom estranhar, o silêncio do buz.

1:15 p.m.

 
Blogger Malhas said...

MENTIRA, não tá nada no Rock in Rio!!!
Voçês não percebem nada... o Buz ainda não comentou porque deve ter a trela!!!
Será que ainda não repararam que só se dirige a nós e só nos cumprimenta quando anda solto?! Para vir aqui ao blog é a mm coisa!!!
Fds pra estes Ignaros, parece k é preciso um desenho...

5:38 p.m.

 

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