Retrato de vida de um cabrão
Tenho passado os meus dias de verão com Nietzsche e uma caixa de ritmos. Bato coros às gajas e levo cortes. Mas no fundo, eu sei que elas me desejam. Eu é que não quero nada com elas. Sou um curioso do coro. Gosto da imprevisibilidade e da provocação. Gosto de ver a atitude convencida das gajas que pensam que as quero comer. Putas. Ao ler este post, o pessoal deve estar a pensar que sou um cabrão. Isso não deixa de ter o seu fundo de verdade. As gajas gostam de cabrões. Porque elas próprias (quase todas) são umas cabras também. Quando estou de ressaca, vou para a varanda tocar à viola e cantar, de boxers. Os parolos (a ressaca é ao domingo e domingo é o dia dos parolos) que passam na rua cá em baixo ficam a olhar. Sinto-me um palácio. Toco viola bué de mal. Que se foda. É provável que, lá de baixo, me vejam os colhões. Felizardos. As gajas passam lá em baixo, vêem-me e pensam: aquele cabrão tem estilo. Pêgas. Claro que tenho estilo, sou o vocalista dos Patroon, suas putonas. Olho à minha volta e vejo um sítio de merda. Podia estar no Algarve, onde as suecas batem punhetas com os pés. Mas estou aqui. Snif. Apanho borracheiras e ouço outros bêbados dizerem-me que gostam de mim. Vou a cambalear para casa e penso como a vida é bela. Piso um poio de merda e sinto-me feliz. Meto-me com a empregada desdentada da padaria e tudo parece fazer sentido. A nossa existência, a nossa mortalidade. Bebo o meu leite achocolatado como se não houvesse amanhã. E vou para casa. Acordo e o dia praticamente já foi com o caralho. Ligo a TV para ver o debate sobre a semiótica dos tops da Mango. Interessante. Pego na caixa de sons e toco uma discomania. Os vizinhos ameaçam-me. Se calhar preferem a viola, penso. Janto com a minha mãe. Parece que o Zé Maria do Big Brother se tentou suicidar. Vou beber um copo com o pessoal e mandamos umas bocas foleiras uns aos outros. Vou para casa dormir e apercebo-me que tenho de deixar de ler Nietzsche.

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