Traquinices e travessuras.

sábado, maio 22, 2004

Bebei e multiplicai-vos

Depois de um aturado estudo, concluí que o álcool é um factor essencial para o divertimento. Esta investigação surge na sequência da proliferação de manifestações abstémias em alguns dos meus círculos de convivialidade. Enquanto apologista fervoroso do consumo exacerbado de pingas, esta negligencia anti-alcoolismo deixou-me bastante revoltado, sobretudo tratando-se de jovens.
É que, se não forem os jovens a beber e apanhar as fardas, quem vai fazê-lo? Eu sei bem que as nossas gerações seniores têm gabarito para defender a nossa reputação de copistas por essa Europa fora, mas sejamos honestos, a bebedeira de um cota é uma bebedeira triste, melancólica, moribunda, derrotista. Não há nada como um bêbedo jovem, lançado pelo álcool num embalo de estupidez contagiante. Inebriado pela desconhecida sensação de invulnerabilidade, apenas travada pelo repente dos soluços, manifestação vulcânica da euforia de um esófago indeciso entre o abrupto assomo do irreverente absinto ou a esperada visita da vitamínica Mini. Isto é juventude!
Divertimento é euforia, e a euforia só se consegue com a contribuição de acompanhamentos estupefacientes. A frase mais ouvida da boca dos abstémios é: “eu não preciso de álcool para me divertir”. Estou convencido que a maltinha que insiste nessa luta contra o álcool, tentando fazer dele uma caixa de Pandora, é porque já teve alguma má experiência com a bebida. A única coisa que eu posso dizer é esta: se apanhaste uma tosga na festinha de final de periodo e deste a cona a meia equipa dos juniores do Pontassolense, não culpes o álcool por isso. Ele poderá ter contribuído para que te desinibisses mas não te transformou noutra pessoa, limitou-se foi a trazer à superfície a puta que sempre houve em ti. E tu meu beto de merda, que tens pavor do hálito a cerveja, não terá isso alguma coisa a ver com aqueles dois panachés que te levaram àquela pequena loucura com o Bernardo Bicha, naquele acampamento de escuteiros à dois anos atrás? Não tentes negar isso pá, tu és mesmo paneleiro.
A verdade é que o álcool pode proporcionar momentos espectaculares. Até conheço uma pessoa que começou com a namorada, numa altura em que estava em coma alcoólico. E continuam a namorar! Isto é que é lindo, não é cocós armados em cabrões. As cenas estúpidas que se fazem com a bebedeira não têm a ver com o álcool, tem a ver com nós próprios. O gajo que quando bebe, só quer andar à porrada, é porque já tem uma personalidade violenta por natureza.
Agora também não pensem que defendo o embroamento a todo o custo. Não. A bebedeira exige maturidade, consciência. E quem não gosta do sabor ou não aguenta, mais vale beber Compal. Ninguém se deixe levar por pressões de grupo.


P.S.- Para a defesa da prática do Drink&Drive, consultem Miguel Sousa Tavares. Ele parece ser um apreciador da velocidade e o efeito do álcool não o amansa. Aprecias pouco aprecias.