Traquinices e travessuras.

sexta-feira, maio 14, 2004

Esclarecimento a uma jornalista imaginária...mas boa.

Outro dia, numa entrevista para o Blitz, perguntavam-me porquê esta súbita mudança de registo nas letras dos Patroon. Eu perguntei: “Que mudança?”. “ Antes os Patroon limitavam-se aos palavrões e à exploração do sexo, sempre com uma linguagem boçal e descredibilizante. De repente, passaram a abordar temas + sérios, parece que ganharam consciência social.” Replicava a entrevistadora, bem boa.
Isto faz-me sentir na obrigação de prestar um esclarecimento aos nossos fãs menos sensíveis à arte da escrita poética. Em primeiro lugar, nós sempre tivemos consciência social. Temos mais do que isso até. Temos consciência política, consciência cultural, consciência da nossa estupidez…o problema é que camuflávamos tudo isso sob um registo infantil, malcriadão, próprio da nossa idade. É necessário perceber que a melhor maneira de tecer uma critica ou de descredibilizar algo ou alguém, é não levando essa coisa ou pessoa a sério. Era isso que nós fazíamos. Só que ninguém percebe. É difícil para as pessoas verem alguma critica ou mensagem implícita num enunciado tão insólito como este: “Máquina do broche, sociedade tecnocrata”. Mas o que é certo é que existe aqui uma ideia subliminar. Depois, todas as nossas letras, as antigas ou as mais recentes, têm um propósito comum. Esse propósito é o de chocar, pôr em causa dogmas, denunciar tabus, apelar aos instintos mais primários das pessoas, de forma a fazerem-nas desconstruir a sua visão prosaica da realidade e libertarem-se do espartilho das convenções sociais.
Elucidados? Para aqueles que continuarem a ter problemas na interpretação das nossas letras, estarei aqui há disposição para esclarecer e ajudá-los a mergulhar no universo poético dos Patroon – A banda que não existe.