Traquinices e travessuras.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Contos de um emigrante

Dia agitado no aeroporto das Barajas, em Madrid. Local de cruzamento fugaz de nacionalidades, de culturas, de experiências, de olhares. Vêem-se todo o tipo de pessoas neste local, mas há uma silhueta que se distingue dos demais. Um homem alto, cujo olhar penetrante deixa adivinhar uma vida intensa e rica. Casaco comprido e mochila às costas, ar negligente, por cima de toda a gente. Reúne a admiração e a curiosidade dos outros transeuntes do aeroporto. Mas ele não pestaneja.
“ Tem cara de terrorista” exclama uma senhora de meia-idade colombiana, enquanto espera embarcar no voo para La Paz. “ Não, não, estou certa que é um actor de Hollywood”, diz uma jovem italiana, prestes a embarcar para Milão. Enquanto percorre os 5Km da zona de embarque do aeroporto das Barajas (não estou a exagerar), nada intimida este homem. Leva uma mochila às costas e um saco de plástico na mão direita. Um saco de plástico. O que estará dentro desse saco de plástico? Alguns suspeitam que seja uma bomba. Outros, que se trata de documentação confidencial roubada ao Pentágono.
Perante tal expectativa e mistério, um temerário miúdo coreano aproxima-se do nosso herói e, sem noção do perigo a que se sujeita, pergunta-lhe telegraficamente: “ O que tens aí?”. Ao que o nosso herói, finalmente, responde: “ Isto, meu lindo rapazote, isto aqui é um pão-de-ló.” O MEDO, O TERROR, AQUELE AEROPORTO NUNCA MAIS SERÁ O MESMO.
FIM

1 Comments:

Blogger João Paz said...

S. Luís? Ou será que era do Muxima?

8:41 a.m.

 

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