Traquinices e travessuras.

sexta-feira, abril 01, 2005

R.I.P.?

Foi há cerca de uma semana. Mais precisamente Quinta-feira passada. Naquela altura ninguém suspeitava que seria aquele o seu último sopro de vida. Já não era a primeira vez que manifestava problemas de saúde. Há cerca de um mês, mês e meio, foi abalado por uma terrível crise, atacado por vírus terríveis, e já nessa altura se temeu o pior. Mas, quase por milagre, recuperou e reapareceu com uma pujança há muito desaparecida. Teve um início de vida glorioso, exalando cultura e erudição por todos os seus poros. Depois tornou-se mais acessível, mais democrático, mais oinkista, mas mais popular também. Teve grandes, grandíssimos momentos, mas teve também momentos para esquecer. Foi algumas vezes vítima, outras vezes agressor. Teve periodos de discrição, mas teve outros de uma exuberância inaudita. Dividiu opiniões e algumas pessoas também, mas não restam dúvidas que uniu muita gente. Motivou todo o tipo de discussões, fez rir, fez pensar. Deu cabo do juizo a muita gente. Mas quem disse que os grandes amores eram fáceis? Chegaram a dizer que foi posto num pedestal, sacralizado. Mas não seria razão para tal?
No fundo, faz falta. Faz falta pela sua irreverência, pela sua sagacidade, pela sua capacidade de pôr as pessoas a olhar para ele, a lê-lo, a divertirem-se com ele. E será uma tristeza vê-lo partir. Alguns poderão dizer que, apesar de ainda novo, foi ultrapassado por outros ainda mais jovens. Outras putas armadas. Mas foste e serás sempre o melhor de todos. Não tenho dúvidas que é preferível partir no auge da vida do que ir morrendo e degradando-se aos poucos. Mas ainda tens tanto para dar... Agora que passa uma semana da tua última manifestação de vida, despeço-me. So não sei se diga Adeus, ou Até já.