De Armatione putae
Não ia fácil, por aqueles dias, a vida para a Real Ordem da Puta Armada.
Após a ida de D. Mano Velho, o Doutrinador, para Cruzada na Terra Santa, a Ordem tinha entrado na clandestinidade, e os seus membros eram alvo de ferozes perseguições.
Aproveitador como sempre, D. Lip Lipôncio, o Postador, alia-se a Belbhet-al-Desafhinad.
Estranho e perverso, este árabe infiel, vinha fugido da Terra Santa após a chegada de D. Mano Velho, e encontrou refúgio junto de D. Lip. Era a quase perfeição. D. Mano Velho fora do reino, pouco ou nada havia a fazer contra a ascensão ao poder por parte de D. Lip Lipôncio.
Restava pouco a fazer....
Corria quente e sem grande esperança, porque afinal de contas poderia não haver devir, aquele Março de 1305.
Reunidos nos paços do Castelo da Amieira, os membros da Real Ordem da Puta Armada, inquietavam-se.
D. Diogo Tuelo, o Lambedor, filho ilustre da não menos insigne Casa dos Brandões, a quem o reino tanto devia, cogitava. O seu Castelo da Amieira encontrava-se ao abrigo dos exércitos de D. Lip, o que permitia à Ordem respirar, por breves instantes, uma paz inquieta.
- Senhores, os tempos são de luta! Vocifera D. Diogo.
- Calma senhor, que as muralhas têm ouvidos! Avisa D. Miguel Guei, pajem de D. Diogo.
- Que achais dever ser feito, D. Pedro Malhas?
- Vossa Senhoria sabe tão bem como eu das novas trazidas por D. Miguel Buzito... ao que consta ao liposo juntou-se um perro chamado de al-Desafhinad.
- Raça de esconjurados, ele e os que lhe fazem a corte! Pragueja D.
Carlos Vodka.
D. Diogo cala-se por instantes, desviando o olhar para os pátios do Castelo.
- Valha-nos S. Lol e o livro, que se não fosse ele, esses cães do demónio já nos tinham dado a comer às sanguessugas.
- De que livro falais, senhor D. Carlos? Pergunta D. Pedro Malhas inquieto.
- Hmmm... tendes razão D. Pedro. Tenho que vos contar do livro. Acalma-se D. Diogo preparando-se para dar conta aos membros da ordem as novas de tal livro.
- Como sabeis o livro de que vos falo é o De Armatione putae. Antes de partir, D. Mano Velho deixou-o aqui a meu cuidado, e se ele cai nas mão imundas de D. Lip, perder-se-ão as provas contra ele assim como os fundamentos da verdade, mais toda a sabedoria que nos assiste enquanto Real Ordem defensora da liberdade. Sem ele D. Lip não tem qualquer poder de maus fazejos.
- Com mil loladas, não me havíeis dito nada, admira-se, D. Miguel Buzito, o Doutor.
- Não tinha a certeza de que lado estáveis.
- É um perigo manter o livro connosco! Diz assustado D. Pedro Malhas.
- Irmãos, pelo contrário, pelo contrário. É a posse dele que fará com que esses perversos e lambedores do rabo de Belzebú, venham provar do fel que tanto cultivaram. Eles virão cá atrás dele. Lembrai-vos da Batalha de Valongo? Pois bem. Cá os esperaremos.
- À frente, em cima deles, por S. Lol! Exaltava-se D. Miguel Guei, o Esvaziador, senhor dos domínios do Furadouro e pajem de D. Diogo.
De repente, o futuro afigurava-se menos sombrio. D. Carlos Vodka, o Façanhudo, irmão de D. Mano Velho, junto de D. Pedro Malhas, o Franjas, acreditavam.
Entretidos a congeminar a estratégia contra D. Lip Lipôncio e Belbhet- al-Desafhinad, o Vermelho de Damasco, não conta do rebuliço entretanto criado junto aos portões do castelo.
- Aproximam-se dois pedintes, Senhor! Avisa o oficial de dia a D. Diogo.
- Que digam quem são e a que vêm!
- Dizem que são peregrinos e que pedem albergue para a noite.
- Que entrem!
D. Diogo, olha para os forasteiros de soslaio, e parece-lhe que algo não estava certo, e pergunta-lhes:
- Vejo que trazeis convosco uma guitarra de forma estranha. Acaso vossas mercês nos darão o gosto de vos ouvir trovar?
- Por quem sois, senhor. Exclamou o mais alto deles. De certo que a nossa obrigação a isso nos obriga, em paga de tão generosa hospitalidade.
- Sois bobos, ou peregrinos?
- As duas coisas, senhor. As trovas que vamos cantando dão-nos sustento para a jornada que nos espera.
Finda esta conversa, começa o mais baixo, até aí calado, a tocar, e o falador cantava:
Pego na minha viola
Vou por aí fora, diacho...
De súbito, exclama D. Diogo:
- É fartar, vilanagem! Estes não são quem se dizem! A eles por S. Lol, que não são mais do que D. Lip Lipôncio e Belbhet-al-Desafhinad!
Amantes do demo! Acaso pensáveis que me enganavam? Só al-Deshafinad toca assim a invocar as profundezas do mal, e tais versos, D. Lip, vos traíram.
- Sois astuto como uma matilha de raposas, D. Diogo! Reconheciam os restantes companheiros do Lambedor.
Acabaram os dois, antes de conseguir roubar o livro, amarrados a um poste. Entretanto D. Tomás, o Encavador, ilustre membro da família canídea do Além Tejo começava a rondá-los e a farejar-lhes os costados...

2 Comments:
Aqui d' el gay! Será desta que Belbet-al-desafhinad será finalmente comido por um canídeo?
2:34 p.m.
hmmmmmmmm... tereis que esperar pelo outro pergaminho para verdes!
12:58 a.m.
Enviar um comentário
<< Home