Crónicas da Amieira
Corria fria e escura a noite pelos domínios da Amieira.
Grossos toros, daqueles veneráveis carvalhos dos soutos ao redor da Casa do Loloso, ardiam com fervor nas grossas lareiras, aquecendo o salão maior dos
Paço da Amieira.
Em frente a uma dessas lareiras, D. Diogo Tuelo emparelhado
com D. Carlos Vodka, distraía-se a atentar na peleja acalorada com que D. Pedro
Malhas, D. Mano Velho e D. Miguel Buzito, se estrichavam nos selambes.
Noutro canto, Belbhet-al-Desafhinad e D. Lip Lipôncio
treinavam acordes e novas trovas.
Interrompendo a sonolência com que D. Diogo ia caindo, questiona D. Carlos:
- D. Tuelo, acaso já haveis lambido cona?
O Lambedor, continuando a contemplar as rijas carnes com que
o formoso D. Pedro Malhas se ia compondo, detém-se e após longo período,
responde:
- Com a graça de Deus!

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