Obrigado Tuelo...!
Acreditem, acreditem porque o que eu digo é a pura e simples verdade…
Graças aos comments do nosso amigo Tuelo vi renascer em mim algo que pensava perdido desde os meus tempos áureos de estudante universitário… Sim… Aquela ânsia selvagem e incontrolável de partir no desconhecido, enveredando por caminhos sinuosos na busca por algo que não se encontrava na minha natureza, habitat, quiçá no meu ecossistema social…
E lá fui eu… após tantas sugestões literárias para aprofundar a minha cultura literária, possivelmente também para desenvolver… pesquisar em busca da Maria, Ana, Gina (mas afinal onde é que estão estas gajas) e não é que encontrei…
Bastou apenas uma, para rapidamente detectar o seu elevado nível cultural, que certamente foi o motivo pelo qual me foram impingidas… desta pude imaginar o nível criativo e didáctico das restantes…
Produzida pelos incansáveis criativos das Edições Pirâmide, da Buraca, a lendária Revista Gina é uma instituição que parece manter-se em grande forma. O número 3 da mítica publicação pornográfica mereceu a minha atenção e análise, sendo necessário o meu empenho imaginativo para interiorizar tais padrões de cultura moderna, que certamente são a verdadeira razão pela qual esta publicação faz parte do imaginário de tanto e tanto rapazinho de tenra idade… (tempo este em que julgávamos ou julgamos que as verdadeiras mulheres diziam mesmo aquelas coisas) … porque para ser sincero ainda não encontrei nenhuma que usasse expressões verbais como «arrebenta» …
Voltando novamente ao magistral número 3 da tão afamada Revista Gina, este continha, algo que deve ser considerado como um clássico dentro dos clássicos deste nível literário tão elevado culturalmente, a fascinante saga de uma polícia de trânsito e de um condutor com carro mal estacionado.
Há uma transição entre duas fotografias (que deve ser o que realmente fascina todos aqueles que não sabem ler ou escrever…) que me encantou sobremaneira. Numa, Frank (o condutor com carro mal estacionado) consegue convencer a polícia Jenny – e reparem como isto é realista – a tomar um copo com ele, dentro do carro. Frank diz o seguinte:
«À saúde, pequena. Eu chamo-me Frank, e tu?»
Ao que Jenny responde: «Chamo-me Jenny. À saúde, Frank.»
O que acontece na fotografia seguinte? Continuando a onda de veracidade e realismo, a polícia Jenny já está na fotografia seguinte com a mão na braguilha de Frank. E a sair da boca de Frank há um daqueles balões tipo BD (esta sim uma leitura bem mais difícil de assimilar pois contém muitas palavras) onde se pode ler:
«Essa agora, isto é que é rapidez!»
Ou seja, o tipo está tão ou mais espantado que o próprio leitor. Adoro este pós-modernismo pornográfico. É quase como se o protagonista estivesse perto de dizer: «Bolas, isto até parece a Revista Gina.»
Há outros excertos dignos de nota e que provam que esta (pelo menos) edição da Fantástica Revista Gina é muitíssimo, e volto a repetir, muitíssimo literária porque nunca dois protagonistas de uma história pornográfica (e eu não tenho medo de afirmar que vejo alguma pornografia) falaram TANTO. Fala-se MUITO nesta história. Eles não se calam um bocadinho. Há uma parte em o narrador diz:
«Quando Jenny venceu a timidez inicial, tornou-se lasciva, como se não tivesse tido homem há muito tempo».
Depois sucede-se a seguinte conversa entre Jenny e Frank…
«Jenny, tu és maravilhosa. Anda, tira esses trapos engomados. Eu quero tanto ver-te nua para acariciar e beijar as tuas mamas.»
Sim, eles falam MUITO. A Jenny diz, enquanto Frank lhe tira a farda policial, o seguinte: «Tem cuidado, se continuas tão impetuoso ainda me rasgas a camisa.»
E diz o Frank: «Desmancha o penteado, Jenny. Dá-te um ar muito severo e pesado.»
E Jenny, em vez de desmanchar o penteado e ficar calada, ou, na melhor das hipóteses, gemer… CONTINUA A FALAR! A páginas 9 da Revista Gina número 3, Jenny diz: «Mas é que eu tenho de usar o cabelo assim quando estou de serviço, não é que eu goste muito.»
NÃO SE CALAM. Páginas e páginas em que as fotografias os mostram já em grande acção, mas o texto insiste em que continuem a dizer parvoíces. O próprio narrador junta-se ao coro de parvoíces quando diz, a páginas 11: «E agora Frank amimalhava o corpo de Jenny com beijos excitantes.»
AMIMALHAR. Cá está um verbo que hoje em dia não aparece muito na pornografia (e volto a repetir que não tenho medo de afirmar que vejo alguma pornografia) e com muita pena minha. Já se imaginaram num cantinho carinhoso com uma babe e dizerem algo como: «Querida amimalha-me o ser.» é para elas ficarem loucas de certeza…
A certa altura, e novamente numa dinâmica de falar, falar, falar, falar, Jenny diz: «Gostei mais da outra maneira, Frank, espera aí um momento, eu prefiro virar-me novamente.»
É a mesma Jenny que, páginas mais à frente, exclama: «Segura-me bem, Frank, que eu não quero cair do banco.»
E ainda… (até pareço e Teresa Guilherme no 1,2,3)
«Oh, não sejas tão violento, Frank, tão rápido, não amor, estás a ser muito violento.»
Ou seja, mais um bocadinho e ela iria acrescentar qualquer coisa como: «É que eu tenho um problema aqui na coluna, Frank e, como tal, tenho isto tudo apanhado.» lol
Mais á frente houve uma coisa que me irritou, pela falta de lógica da história. Sim, porque rapidamente fiquei fascinado e me passei a preocupar com a lógica interna de histórias como esta que aparece e revistas tão culturais e didácticas como a Revista Gina.
Eles estão a fazer O AMOR dentro do carro do Frank, que ela acabou de conhecer. No entanto, a narração diz: «Jenny levantou-se e puxou a mala que estava dentro do assento. Depressa encontrou o que procurava: um frasco de vaselina.»
Ora o que faz com que uma mulher-polícia saiba que um estranho tem no carro uma mala com um frasco de vaselina?
É assim uma coisa tão normal?
Alguém aqui tem frascos de vaselina nos vossos carros? É uma coisa assim tão aceitável pela sociedade? (ou fará apenas parte da sociedade dos MACHOS, MUITO MACHOS?)
Ou será que dá multa não ter…?
Isto sim é cultura literária… OBRIGADO AO NOSSO AMIGO TUELO…
Se não fosses tu continuava um inculto…
Graças aos comments do nosso amigo Tuelo vi renascer em mim algo que pensava perdido desde os meus tempos áureos de estudante universitário… Sim… Aquela ânsia selvagem e incontrolável de partir no desconhecido, enveredando por caminhos sinuosos na busca por algo que não se encontrava na minha natureza, habitat, quiçá no meu ecossistema social…
E lá fui eu… após tantas sugestões literárias para aprofundar a minha cultura literária, possivelmente também para desenvolver… pesquisar em busca da Maria, Ana, Gina (mas afinal onde é que estão estas gajas) e não é que encontrei…
Bastou apenas uma, para rapidamente detectar o seu elevado nível cultural, que certamente foi o motivo pelo qual me foram impingidas… desta pude imaginar o nível criativo e didáctico das restantes…
Produzida pelos incansáveis criativos das Edições Pirâmide, da Buraca, a lendária Revista Gina é uma instituição que parece manter-se em grande forma. O número 3 da mítica publicação pornográfica mereceu a minha atenção e análise, sendo necessário o meu empenho imaginativo para interiorizar tais padrões de cultura moderna, que certamente são a verdadeira razão pela qual esta publicação faz parte do imaginário de tanto e tanto rapazinho de tenra idade… (tempo este em que julgávamos ou julgamos que as verdadeiras mulheres diziam mesmo aquelas coisas) … porque para ser sincero ainda não encontrei nenhuma que usasse expressões verbais como «arrebenta» …
Voltando novamente ao magistral número 3 da tão afamada Revista Gina, este continha, algo que deve ser considerado como um clássico dentro dos clássicos deste nível literário tão elevado culturalmente, a fascinante saga de uma polícia de trânsito e de um condutor com carro mal estacionado.
Há uma transição entre duas fotografias (que deve ser o que realmente fascina todos aqueles que não sabem ler ou escrever…) que me encantou sobremaneira. Numa, Frank (o condutor com carro mal estacionado) consegue convencer a polícia Jenny – e reparem como isto é realista – a tomar um copo com ele, dentro do carro. Frank diz o seguinte:
«À saúde, pequena. Eu chamo-me Frank, e tu?»
Ao que Jenny responde: «Chamo-me Jenny. À saúde, Frank.»
O que acontece na fotografia seguinte? Continuando a onda de veracidade e realismo, a polícia Jenny já está na fotografia seguinte com a mão na braguilha de Frank. E a sair da boca de Frank há um daqueles balões tipo BD (esta sim uma leitura bem mais difícil de assimilar pois contém muitas palavras) onde se pode ler:
«Essa agora, isto é que é rapidez!»
Ou seja, o tipo está tão ou mais espantado que o próprio leitor. Adoro este pós-modernismo pornográfico. É quase como se o protagonista estivesse perto de dizer: «Bolas, isto até parece a Revista Gina.»
Há outros excertos dignos de nota e que provam que esta (pelo menos) edição da Fantástica Revista Gina é muitíssimo, e volto a repetir, muitíssimo literária porque nunca dois protagonistas de uma história pornográfica (e eu não tenho medo de afirmar que vejo alguma pornografia) falaram TANTO. Fala-se MUITO nesta história. Eles não se calam um bocadinho. Há uma parte em o narrador diz:
«Quando Jenny venceu a timidez inicial, tornou-se lasciva, como se não tivesse tido homem há muito tempo».
Depois sucede-se a seguinte conversa entre Jenny e Frank…
«Jenny, tu és maravilhosa. Anda, tira esses trapos engomados. Eu quero tanto ver-te nua para acariciar e beijar as tuas mamas.»
Sim, eles falam MUITO. A Jenny diz, enquanto Frank lhe tira a farda policial, o seguinte: «Tem cuidado, se continuas tão impetuoso ainda me rasgas a camisa.»
E diz o Frank: «Desmancha o penteado, Jenny. Dá-te um ar muito severo e pesado.»
E Jenny, em vez de desmanchar o penteado e ficar calada, ou, na melhor das hipóteses, gemer… CONTINUA A FALAR! A páginas 9 da Revista Gina número 3, Jenny diz: «Mas é que eu tenho de usar o cabelo assim quando estou de serviço, não é que eu goste muito.»
NÃO SE CALAM. Páginas e páginas em que as fotografias os mostram já em grande acção, mas o texto insiste em que continuem a dizer parvoíces. O próprio narrador junta-se ao coro de parvoíces quando diz, a páginas 11: «E agora Frank amimalhava o corpo de Jenny com beijos excitantes.»
AMIMALHAR. Cá está um verbo que hoje em dia não aparece muito na pornografia (e volto a repetir que não tenho medo de afirmar que vejo alguma pornografia) e com muita pena minha. Já se imaginaram num cantinho carinhoso com uma babe e dizerem algo como: «Querida amimalha-me o ser.» é para elas ficarem loucas de certeza…
A certa altura, e novamente numa dinâmica de falar, falar, falar, falar, Jenny diz: «Gostei mais da outra maneira, Frank, espera aí um momento, eu prefiro virar-me novamente.»
É a mesma Jenny que, páginas mais à frente, exclama: «Segura-me bem, Frank, que eu não quero cair do banco.»
E ainda… (até pareço e Teresa Guilherme no 1,2,3)
«Oh, não sejas tão violento, Frank, tão rápido, não amor, estás a ser muito violento.»
Ou seja, mais um bocadinho e ela iria acrescentar qualquer coisa como: «É que eu tenho um problema aqui na coluna, Frank e, como tal, tenho isto tudo apanhado.» lol
Mais á frente houve uma coisa que me irritou, pela falta de lógica da história. Sim, porque rapidamente fiquei fascinado e me passei a preocupar com a lógica interna de histórias como esta que aparece e revistas tão culturais e didácticas como a Revista Gina.
Eles estão a fazer O AMOR dentro do carro do Frank, que ela acabou de conhecer. No entanto, a narração diz: «Jenny levantou-se e puxou a mala que estava dentro do assento. Depressa encontrou o que procurava: um frasco de vaselina.»
Ora o que faz com que uma mulher-polícia saiba que um estranho tem no carro uma mala com um frasco de vaselina?
É assim uma coisa tão normal?
Alguém aqui tem frascos de vaselina nos vossos carros? É uma coisa assim tão aceitável pela sociedade? (ou fará apenas parte da sociedade dos MACHOS, MUITO MACHOS?)
Ou será que dá multa não ter…?
Isto sim é cultura literária… OBRIGADO AO NOSSO AMIGO TUELO…
Se não fosses tu continuava um inculto…

2 Comments:
Piçarrinha, obrigado pelo pedacinho de céu que aqui nos deixaste!
10:32 a.m.
Parabéns,Piçarra,conseguiste finalmente escrever um grande post.Dos melhores dos ultimos tempos aqui no Patroon.com
4:44 p.m.
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