Traquinices e travessuras.

quinta-feira, junho 03, 2004

O poio

Outro dia caguei-me nas cuecas. Queria dar um peido mas o tiro saiu-me pela culatra. Reparem só no fino sentido dúplice desta frase, saiu-me pelo cu (latra). Apaixonante. Agora, o apanascado leitor perguntará “mas não é pela culatra que o tiro (neste caso peido) deve sair?”. Realmente é. Só não é suposto sair à bisnaga. A trágica verdade é que me borrei todo. Tingi as ceroulas de um sugestivo rubor amarelo-torrado. Bem torrado. Perante tão inusitado sucedido, entrei em pânico. Na ânsia de me ver livre da prova do fogacho, tive a temerária ideia de pegar fogo à cueca selada. Tal empreendimento teria tido desfecho bem mais feliz não fosse o casamento entre o robusto cheiro da furrica e o irreverente odor do álcool etílico ter resultado numa surpreendente fragrância, digna da rede de esgotos de Auschwitz em dia de nortada. Ao chegar, a única coisa que a minha mãe disse foi: “Da próxima vez que cozinhares, liga o exaustor”.
Partilho convosco este pequeno episódio, porque me fez pensar em algo que, embora seja essencial nas nossas vidas, é frequentemente ignorado e menosprezado. Falo do peido. O peido é a manifestação suprema da nossa existência. Quem peida, diz sim à vida. Descartes afirmou: cogito, ergo sum (penso, logo existo). Eu vou mais longe, e afirmo: peido, logo existo. Haverá expressão de vida mais revigorante do que o desprendimento anal?
No entanto, esta milenar modalidade de flatulência tem sido, ao longo dos séculos, perseguida e censurada. E o escandaloso é que, em pleno século XXI, ainda queiram calar o peido! Mas eu digo NÃO! NÃO à repressão anal. Podem-nos tirar o pão, o tecto, mas o peido não. E é por isto que faço desde já um apelo à união de todas as pessoas, para que dêem um poderoso traque de revolta contra este vilipêndio. Uff, até estou cansado.
É que, meus amigos, o que seria de Ghandi sem o peido? Com certeza que, se tivesse prisão de ventre, não teria conseguido todos aqueles feitos. Estas são as questões que têem vindo a ser escamoteadas. Urge pensar em tudo isto.

P.S: Para vos ajudar a reflectir nestas questões, deixo-vos com este eloquente dizer popular: Se a merda tivesse valor, os pobres não teriam cú.

1 Comments:

Blogger João Paz said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

11:43 p.m.

 

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